Com o advento do sistema americano de furos, a resinagem convencional, no método brasileiro vai acabar, ficará obsoleta!
Será mesmo?
Primeiramente, aos não familiarizados com o tema, a resinagem de pinus não é uma atividade nova, ou mesmo inovadora. É praticada desde os tempos mais remotos, em diversas civilizações da antiguidade, como os egípcios, babilônios, gregos, enfim.
No Brasil, sim a atividade é relativamente jovem, dado início nos anos 70 criando um novo mercado exportador de derivados ao invés de importador. Na Europa, principalmente Portugal e França, maiores produtores por vários anos, e também Rússia, Alemanha, Áustria e posteriormente China, Indonésia, Índia, Siri Lanka, entre outros países na Ásia.
Não nos esqueçamos dos maiores inovadores do setor, os Estados Unidos, cujo número de patentes de sistemas é significativo, desde os anos 1800.

Bem, resumindo, o sistema brasileiro de resinagem foi adaptado dos sistemas, americano e português, utilizando estrias (bark chipping / remoção da casca) e aplicação de pasta ácida.
Para quem já conhece o setor sabe que o sistema no Brasil, não mudou muito, salvo algumas inovações como a troca dos potes plásticos (rígidos, com pregos e calhas) por sacos plásticos amarrados com arame, um novo modelo de estriador feito de folha de serra fita (mais leve que o modelo importado de Portugal), e o estudo de pastas mais eficazes, inclusive utilizando outros tipos de ácido além do H2SO4 (ácido sulfúrico), potencialmente prejudicial ao operador. Novas pastas estão sendo testadas e/ou usadas em escala, com resultados promissores, aumentando a produtividade em 30% ou mais!
Recentemente foi apresentado um equipamento à bateria, com um disco de corte desenvolvido para fazer a estria, no intuito de modernizar o sistema de estrias.
O sistema americano de furos, apelidado de “Borehole”, vem sendo objeto de diversos estudos nos últimos anos no Brasil, porém não é algo novo, nos EUA, já em 1908, a primeira patente foi registrada e diversas modificações foram testadas por lá, até a criação de um dispositivo hidráulico acoplado em um mini trator, que automatiza e padroniza os furos, sendo ainda necessário uma pessoa para aplicar o estimulante líquido e instalar o recipiente coletor.
Um carrinho motorizado, em que o operador empurra na árvore manualmente foi testado, até mesmo uma espécie de dispositivo “pendular”.
No Brasil o trabalho tem sido feito com moto furadeiras à gasolina ou a bateria, e brocas de 1 polegada. Algumas opções de estimulante tem sido comercializadas e os mais efetivos possuem em sua formulação o methyl jasmonato (C13H20O3), produto de alto valor e importado, sendo o methyl dihidojasmonato (C13H22O3), comercialmente nomeado Hedione®, um substituto à altura, com adição de água e óleo mineral fixador. Outros estimulantes estão sendo estudados!
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É um sistema que pode ser utilizado com maior eficiência em Pinus elliottii var. elliottii, devido à fluidez da resina, e dependendo da região aplicada, a produção se estende além dos 90 dias, sendo possível realizar mais de uma coleta no mesmo furo!
Em pinus tropicais os resultados não foram satisfatórios em testes realizados, salvo em Pinus oocarpa, que possui a resina mais fluída, semelhante à do Pinus elliottii.
Basicamente, o sistema consiste em três operações por ciclo:
- Instalar o furo
- Coletar o furo
- Retirar o tubete para reaproveitamento em nova instalação Este processo é chamado de Ciclo, e dura entre 90 a 120 dias, sendo possível realizar entre dois a três ciclos por ano em uma mesma área. A quantidade de furos é determinada pelo planejamento de utilização da floresta, podendo ser de 2 furos por ciclo até 15 furos por ciclo! Um diferencial do sistema é que se o mercado estiver com preços em baixa, pode-se optar em não realizar o ciclo de furos, aguardando melhor momento.
Dito isto, a pergunta que não quer calar:
“A resinagem com estrias vai acabar?”
A resposta é NÃO! Não irá acabar tão cedo!
Qualquer mudança, inovação ou alteração nos sistemas de resinagem levam tempo, anos ou mesmo décadas para “emplacar”, e não é de uma hora para a outra que um sistema será substituído, até porque, podemos encarar sistemas, como opções diferentes, e em certos casos complementares.
Se você ficou interessado em saber mais sobre o assunto, quer saber para quem é recomendado o sistema de furos, acesse o nosso site e redes sociais:
Até logo!
Thannar
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